DISTORÇÃO DO HOMEM NEGRO NO ESPELHO DE NARCISO.
Jaime Augusto de Jesus
Pedagogo/ Especialista
Em Estudos Africanos
E afrbrasileiros
Mônica Messias Castro
Licenciatura Em Letras
Introdução da proposta
O cinema com o recorte racial deve ser concebido no bojo de um projeto cultural inclusivo, baseado no respeito à diversidade étnico-racial à pluralidade cultural do país, além dos conflitos envolvendo o ser humano negro. Não basta o negro fazer parte das tramas cinematográficas, mas sua presença tem que ultrapassar o nível dos clichês, o plano dos papéis estereotipados, caricaturais e grotescos, não basta fazer parte do elenco dos filmes, nem estar na frente das câmaras, ele tem que interpretar papéis para além de coadjuvantes. Somente, assim é possível o florescimento de uma nova sensibilidade artística, o desenvolvimento de uma nova linguagem estética, a invenção de imagens, narrativas e representações da alteridade.
Justificativa do titulo e Proposta
Narciso era um belo rapaz, filho do deus Céfiso e da ninfa Liríope. Por ocasião de seu nascimento, seus pais consultaram o oráculo Tirésias para saber qual seria o destino do menino. A resposta foi que ele teria uma longa vida, se nunca visse a própria face. Muitas moças e ninfas apaixonaram-se por Narciso, quando ele chegou à idade adulta. Porém, o belo jovem não se interessava por nenhuma delas. A ninfa Eco, uma das mais apaixonadas, não se conformou com a indiferença de Narciso e afastou-se amargurada para um lugar deserto, onde definhou até que somente restaram dela os gemidos. As moças desprezadas pediram aos deuses para vingá-las.
Nêmesis apiedou-se delas e induziu Narciso, depois de uma caçada num dia muito quente, a debruçar-se numa fonte para beber água. Descuidando-se de tudo o mais, ele permaneceu imóvel na contemplação ininterrupta de sua face refletida e assim morreu. No próprio Hades ele tentava ver nas águas do extingue as feições pelas quais se apaixonara.
Reportando a mitologia, sobretudo o arquétipo de Narciso, vinculando a TV e o cinema, propomos algumas considerações tendo como analise a mitologia pra analogia a situação do negro na lente das câmeras.
O Brasil é famoso por sua diversidade racial, porém essa diversidade não tem vez na televisão, porque ainda não se valoriza na TV como em várias esferas da sociedade brasileira, valoriza somente a matriz européia de pensamento e comportamento. Negros e indígenas não são representados de maneira digna na TV e no cinema, são representados de formas estereotipados ou às vezes não aparecem.
Ao valorizar a matriz européia, ou seja, somente uma vertente étnica e racial nos meios de comunicação e nas outras esferas da vida, perde-se a chance de entender as outras contribuições trazidas pelos africanos e daqueles que aqui estavam como os indígenas. Isso é grave porque causa uma falsa imagem do país.
A titulo de reflexão resgataremos o personagem Mussum: embriagado, estereotipado, carregado de preconceitos raciais e sociais . Há uma ação deliberada para além de sub-representar, colocar negros e negros em patamar de desigualdade e inferioridade. Isso é prejudicial para quem assiste e, sobretudo para jovens negros ou para crianças que estão formando sua identidade; isso é extremamente nocivo, pois exerce uma forte influência na forma de viver no mundo.
O negro sempre se fez presente no cinema, não restam dúvidas! Isto não significa dizer que ele tenha assumido o papel de protagonista ou tenha sido retratado positiva e condignamente. Em linhas gerais, o negro esteve no segundo plano da trama cinematográfica, assumindo papéis secundários, de pouca relevância ou mesmo foi condenado a interpretar estereótipos caricaturais, como escravo, serviçal, boçal, exótico, mulata lasciva, macumbeiro, favelado, malandro ou vilão de tudo que é espécie. Essas imagens, narrativas e representações pouco abonadoras foram usadas para (re) afirmar a inferioridade e submissão de um segmento que, segundo o IBGE, constitui quase metade da população brasileira. É verdade que, na produção cinematográfica do Cinema Novo, traz aspectos da cultura e história dos afro-brasileiros.
Para romper com invisibilidade, a distorção, ou seja, o espelho infiel que a mídia passa para população é importante que haja trabalhos que enfoque atuação do negro na arte televisiva e cinematográfica buscando refletir sobre as personagens que compõem as tramas. Por isso A Distorção Do Homem Negro No Espelho De Narciso, a qual foi titulada a proposta de trabalho, busca refletir sobre atuação do negro no cinema por meio de uma mostra de filmes na sede afro Ganga Zumba para a comunidade local, e também para as crianças, adolescentes e jovens inseridos no Projeto Sócio-Cultural Quilombolas. A ação pendurará durante uma semana de 25 a 29 do mês de outubro, onde analisaremos os filmes propostos e o enredo das tramas enfocando aspectos raciais.
Objetivo geral da Proposta:
_ Interrogar o filme á medida em que oferece um conjunto de representações que remetem direta ou indiretamente a sociedade real a qual se inscreve.
Objetivos Gerais da Proposta
_ Analisar algumas produções cinematográficas.
_ Observar se nas produções cinematográficas as questões raciais está sendo abordadas de forma ética e politizadas, sem ideologias racistas.
- Mãos talentosas
- O Auto da compadecida
- Crash, No limite
- À Procura da Felicidade
- Quilombo

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